Os taoístas consideram a poesia um meio admirável
de expressar a afinidade inata do homem com a natureza.
Seus versos são ricos em referências a espetáculos e sons
que reforçam esses sentimentos.
As nuvens que flutuam significam a liberdade do sábio
que se desprendeu da enorme ilusão de solidez e separação,
libertando-se, assim, da compulsão de ir para qualquer lugar
em especial ou de fazer qualquer coisa que não seja pilotar seu barco,
que é levado alegremente pelo fluxo das circunstâncias.
Frases como " a música da chuva que cai"sugerem
que a a alegria e a beleza devem se encontradas
até mesmo nos fenômenos naturais, que, possivelmente,
passarão despercebidos a uma pessoa que os considere
inimigos dos planos dos camundongos e dos homens.
O que dizer desta bela frase:
"O rugido amistoso do tigre que habita o penhasco"?
Os sons elementares produzidos por instrumentos de percussão
usados pelos monges para marcar o ritmo de seu canto
-sinos de pedra ou blocos ocos de madeira ressonante-
são estimados porque, fora suas associações com antigos rituais,
assemelham-se a sons produzidos pela natureza sem o auxílio do homem.
Como acontece com a poesia romântica em todas as línguas,
os poemas taoístas são repletos de frases hoje consideradas banais,
tais como: "luar brilhante","nuvens de coral", "o brotar da primavera";
"o esplendor outonal", "ramagens de neve","o rugido do bambu leve";
"o sussurro dos ventos nos pinheiros" e assim por diante.
Eu nunca me canso delas, porque são maravilhosamente evocativas
de coisas que amo e são muito usadas para trazer à mente
o mistério oculto em que está fundida toda a natureza.
O poeta da natureza- como eu tento ser- aprecia a imediação da experiência
e não um conhecimento de segunda mão tirado dos livros.
Além disso, não importa quão atrativas sejam as flores,
ele não será tentado a arrancá-las.
A menos que seja motivado pela fome comê-las, porque ele, o poeta,
deveria retribuir a bondade da natureza destruindo as suas dádivas preciosas?
A visão das nuvens navegando no espaço leva á meditação
sobre a transitoriedade e mutabilidade das formas,
pois os castelos , penhascos e ilhas do céu dissolvem-se, fundem-se
e ciam novas formas muito rapidamente ,
espalhando dessa maneira as mudanças que ocorrem
em diferentes escalas de tempo por todo o domínio da natureza.
MESMO AS MONTANHAS SÃO EFÊMERAS
PELO PADRÃO DA ETERNIDADE.