segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

AMORAS DIVINAS

Amoreira, árvore da minha infância,
Não me conformo com a tua morte.
Sou culpado por tê-la deixado morrer
Na colina do cafundó Não Facilite.

Porque não implorei ao meu irmão
Mais velho, Agnello, e ao meu sobrinho
Claudir , que permanecem nas terras
Que eram de meus pais, para cuidá-la
E mantê-la viva a qualquer custo ?

Como pude deixá-la morrer ?
Nem sequer fiquei sabendo
A causa da tua morte, Amoreira,
Não sei se morreste de velhice
Ou por  causa de eu te-la abandonado.

Ó, árvore da minha vida, como pude
Enquanto vivias esquecê-la e depois
Da tua morte  torná-la tão  forte  e
Perene em minha fraca memória ?

Sinto que  tua alma imortal
Revestida de folhas  belíssimas
Verde-vida e de teus doces frutos
Angélicos, paradisíacos,celestes,
Ainda vagueia pelas terras
Da minha bucólica infância
No cafundó do Não Facilite,
Espalhando sementes , fazendo
Nascer novas amoreiras
Repletas de amoras Divinas.



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