Recém-nascido ainda sangrando
Pelo cordão mal cortado,
Tão somente envolto
Por dores, gemidos e prantos
Foi abandonado despido
Sobre espinhos de maricá
Na Rua GLÓRIA EM ALVORADA:
SEU NOME DEVERIA SER
GLORIOSO ALVORECER;
Sim, seu nome deveria ser
GLORIOSO ALVORECER
Porque reagiu como um gigante
Diante de tamanha covardia humana
Chorando com força de anjo
Seu absurdo abandono sobre espinhos.
SEU NOME DEVERIA SER
GLORIOSO AMANHECER:
PORQUE DIANTE DA DOR DE MORTE
DO SEU CORPO TÃO PEQUENO,
RECÉM-NASCIDO,
O SEU ESPÍRITO TÃO GRANDE
O FEZ CLAMAR FUNDO E FORTE
POR SOCORRO, POR VIDA.
SEU CLAMOR SOU ATENDIDO:
Deus fez uma mulher ouvir
O pranto, os gemidos
Do recém-nascido abandonado
E ele foi salvo do brutal crime
Cometidos pela própria mãe covarde,
Pelo pai omisso, pela negligência do Estado:
SEU NOME DEVERIA SER
GLORIOSO ALVORECER
PORQUE SOBREVIVEU A TUDO:
Á MÃE COVARDE, ASSASSINA;
AO PAI, AO GOVERNO;
À SOCIEDADE NEGLIGENTES, OMISSOS
E AOS ESPINHOS DO MUNDO...
SEU NOME SÓ PODE SER
GLORIOSO ALVORECER.
Poesia inspirada em fato real publicado no jornal Zero Hora em julho de 1996.
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